foto 3(14)

 

Se tem uma coisa que não aconteceu comigo foi aquele instinto materno que vem desde pequena, sabe?

Minhas Barbies não eram mamães, muito menos limpavam a casa do Ken ou preparavam a suas refeições. Não mesmo.

Elas iam para festas, trabalhavam em suas empresas (desenhavam roupas, acreditam?),viajavam e se divertiam no shopping, clube e no salão de beleza.

Eu passei a adolescência toda assim, rodeada de amigos, viagens,baladas… do jeitinho que eu brincava na infância.

Quando a maternidade chegou para mim, eu não imaginava que seria lançada em um universo um tanto solitário, cheio de dúvidas e bem recluso.

Realmente me senti assim, nas duas vezes que recebi esses presentes.

Primeiro, na gestação me desliguei do mundo, e fui viver sozinha no meu universo particular. Durante um tempo achei que isso acontecesse só comigo mas, conversando, vi que muitas mulheres passam pelo mesmo processo solitário na gestação que eu.

Muitos acharam que era coisa de mãe muito nova, mas passei pelo mesmo processo na segunda gravidez. Pra mim nesse período, estar sozinha, recolhida, focada é mais do que importante. É natural.

Falo daquela solidão de interesses; realmente enquanto gestava, passava por um período de negação ao resto dos fatos do mundo. Eu, minha família, meu bebê….só isso me importava.

Difícil relatar tudo isso sem me assustar, já faz 12 anos que recebi o presente da maternidade e pra mim, foi ontem.

Admiro quem dá a luz num dia, e noutro já está com a casa cheia de visitas e em festa. Meu processo de interiorização vai além da gestação, passa por algumas semanas após o nascimento. E não, isso não é depressão! Não, isso não é chatice!!! Sou uma pessoa cheia de amigos e que adora receber, mas quando nasce um filho…isso sim é um evento especial e o considero só meu, convidada exclusiva dessa minha festa.

Alguns podem chamar de loucura ou egoísmo e simplesmente não compreender, mas nessa minha jornada de blogagem, descobri que meu comportamento é na realidade bem comum.

A solidão e a gestação, pra mim andam lado a lado, e são primas da felicidade e não tem nenhum parentesco com a tristeza. Simplesmente o mundo fica completo com Bárbara e Theodoro na minha seleta multidão.