Come? Não comia!! {Crianças Seletivas}

como ensinar meu filho a comer

Já escrevi sobre as frescurites na hora das refeições aqui em casa, resultado de uma rotina corrida, nada organizada. Como nunca conseguíamos nos reunir, ou servir as refeições nos mesmos horários, a coisa estava assim: Theo e Babi comiam na hora que queríamos (com ou sem fome), fora da mesa, no sofá, com TV e com ipad….ou playstation. Estava uma bagunça, geral, como nossa vida nos últimos tempos! Nunca conseguíamos estar nós dois presentes nessa tarefa, fomos liberando…liberando, daí que aos finais de semana eu queria “tentar” colocar ordem na casa e o resultado era: choradeira, cara feia e crianças que não estavam comendo quase nada.E  ainda tinha aquele vovô que aparecia aqui com delícias fora de hora, as famosas tranqueiras que estragam qualquer refeição. Briguei algumas vezes, mas sinceramente…tem hora que é exaustivo, não basta lutar contra as crianças e seu mau comportamento, ainda tinham os avós!

Até que o livro “Crianças francesas não fazem manha” apareceu na minha vida. E por coincidência também, passei a ficar mais em Campinas, então após ler o capítulo sobre alimentação do primeiro livro, decidi implantar a mudança. E olha, eu que dizia tanto que não leria manuais que me ensinassem a criar meus filhos!! (ahãm)

Como toda mudança de rotina as coisas não são flores desde o início, né? Pelo contrário, tudo parece piorar muito até que comecem a melhorar. Eles estranham, não aceitam, se revoltam. Ouvi de tudo!! rsrrsrs

Notei que além da nossa falta de organização e rotina (des)estabelecida, outros fatores estavam atrapalhando o bom andamento das refeições aqui.

Sou produto sobrevivente dos anos 80, né? Cresci comendo bobagens mil…todas, mas minha mãe fazia questão que limpássemos os pratos, ou seja: “coma tudo mesmo que não goste”, “que chore”, “que esperneie” … e “olha aqui o meu chinelo”, “depois pode se entupir de chocolate”!! Desconfio que essa era uma prática comum. Óbvio que por mais que a gente queira fazer as coisas diferente e consertar os erros e tals, tende a repetir os padrões nos quais fomos criados.

Chegamos a um ponto aqui em que minha cozinha parecia um restaurante, cada um queria comer uma coisa, e em horas variadas. O Theo adora peixe, Babi não. Lentilha eu adoro, sozinha. Grão de bico ninguém comia. Frutas estragavam, iam bem só em sucos. O cenário era meio caótico.

Algumas mudanças que nos ajudaram a acabar com a seletividade do Theo (04 anos) e as frecuras da Babi (12 anos) e colocar todos no eixo :

– Almoço e jantar acontecem na mesa da cozinha (no dia a dia) e na hora que digo ” vem pra mesa”….não abro mão e não permito que me enrolem ( e ainda tentam, viu??)

– Eu decido o cardápio de casa, já pré estabeleci, eles já sabem o que esperar ao longo da semana, não mudo.

– No prato deles ( e no nosso, é preciso ser o exemplo) vai um pouco de tudo que tem para a refeição, eles PRECISAM provar tudo, mas só comem a quantidade que quiserem.

como ensinar meu filho a comer

Depois do novo sistema implantado, foram precisos uns 10 dias para que tudo caminhasse como deveria, e começamos a ter nossos jantares em família, um menu para todos nós, sem NENHUM escândalo, inclusive nos restaurantes. Passamos a frenquentar restaurantes sem espaço kids, na realidade acho que esses lugares com brinquedos e tals só atrapalham, as crianças ficam indo e vindo, não focam na comida e ainda, muitas vezes, nos obrigam a passar um bom tempo na brinquedoteca. Agora escolhemos o que queremos comer, verificamos se não tem espaço kids e lá vamos nós, sem crises e sem menus especiais para crianças.Quando é inevitável ir a um endereço com espaço de brincadeiras, sempre sirvo a refeição antes para o Theo, ele já chega satisfeito e pronto para brincar, algumas vezes é inevitável, e não vamos negar convite de amigos!!! Não mesmo, o segredo é ter equilíbrio, né??

Quando a Pamela Druckerman lançou a continuação do primeiro livro, corri para conferir. Adorei ainda mais!No “Crianças francesas dia a dia”, todas as regras que ela já havia nos apresentados estão listadas, é um guia prático. Tornei os títulos do capítulo quatro “bebê gourmet” o meu lema de vida na cozinha:

Não existe comida de criança” – o que comemos, eles também comem.

Só se faz um lanche por dia“- acabaram os belisquetes durante a semana entre as refeições.

Não resolva crises com biscoitos“- chorou, chorou. Comida não é moeda de troca.

Você é o guardião da geladeira“-evitando os belisquetes descontrolados

Deixe as crianças cozinharem” – quem participa sente mais prazer em provar

Sirva a comida em etapas, legumes e verduras primeiro” – e não abro mão de ao menos uma porção de folhas e de legumes.

Você só precisa experimentar” – já vou avisando antes o que teremos, assim provam sem surpresas, se não gostam de primeira, repito em outras preparações o mesmo ingrediente, com novas apresentações, até que aceitem bem.

Faça rotatividade de alimentos” – planejo o que farei por semana, e vou sempre variando.

Você escolhe os alimentos, eles as quantidades” – a regra é clara (já dizia Arnaldo!), eles precisam provar TUDO o que está na mesa, mas a quantidade é escolha deles

Variedade,Variedade” – Mudo as preparações e os ingredientes, sempre.

Beba água” – tiramos o suco da mesa, a fruta passou a ser servida na sobremesa.

A aparência importa” – um fru-fru ajuda, principalmente no início do processo.

Fale sobre comida” – na mesa falamos sobre muitas coisas, inclusive sobre o que estamos comendo.

Tenha o equilíbrio nutricional diário em mente” – variedade,variedade!

O jantar não deve envolver combate corpo a corpo” – o objetivo era acabar com o mimimi à mesa.

Coma chocolate” – sim, um pouco não mata, quem tem muita restrição acaba sucumbindo rápido, bom saber que um pouco não faz mal algum.

Faça com que as refeições sejam curtas e doces” – eles podem escolher a quantidade de comida e o tempo que permanecem à mesa, depois de satisfeitos podem sair, assim ninguém faz cara feia e conseguimos acabar nosso jantar sem crises.

(Títulos do Livro Crianças francesas dia a dia de Pamela Druckerman- pág.39 a pag. 52.)

Pode levar um pouco mais de tempo para você se adaptar, para as crianças se encaixarem, mas super indico essas leituras e a implantação dessa rotina francesa se você tem filhos seletivos ou se as refeições são palco de mimimis ,te digo: Leia e mude as coisas por aí, depois me conte!! Estou muito satisfeita.

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