Tireoidite do pós-parto // saúde

DEPRESSAO-POS-PARTO

-fonte: Shutterstock

Nem sempre o que parece é o que de fato… é!

A quantidade de mulheres acometidas por uma espécie de melancolia, tristeza ou irritabilidade , após darem à luz a seus bebês não é pequena. Mas como isso acontece justamente em um momento esperado e que deveria ser de muita alegria e amor?
O organismo da mulher passa por diversas mudanças hormonais que consequentemente podem afetar o sistema nervoso central. Mas existe diferença entre tristeza e depressão pós-parto, segundo o médico psiquiatra e supervisor do Ambulatório de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo Frederico Navas Demétrio, “a tristeza pós-parto é quase fisiológica. Dependendo da estatística, de 50% a 80% das mulheres apresentam certa tristeza, certa disforia e irritabilidade que têm início em geral no terceiro dia depois do parto,  dura uma semana, dez, quinze dias no máximo, e desaparece espontaneamente. Já a depressão pós-parto começa algumas semanas depois do nascimento da criança e deixa a mulher incapacitada, com dificuldade de realizar as tarefas do dia a dia”.
Sim, uma certa tristeza é comum, e acho até que raros são os casos de relatos de alegria absoluta! Acho lindo quando ouço um história assim, perfeita. Mas essas não correspondem a maioria e além das mudanças hormonais há ainda  mudanças de rotina, horários. São muitas coisas novas que chegam em um espaço de tempo muito curto, e a gente pode até se preparar, mas é bem fácil sucumbir a tanta pressão e responsabilidade.

Pois é, os clássicos sintomas da depressão pós parto também podem facilmente ser confundidos com os que ocorrem em um outro caso, em um distúrbio da tireóide chamado Tireoidite de Hashimoto. Já ouviu falar disso??

O estudo realizado pela endócrinologista Maria Fernanda Barca, especialista pela USP, aponta que gestantes têm sete vezes  mais chances de apresentar uma tireoidite de hashimoto no pós parto.

Cansaço, quadros depressivos, desânimo, falta de concentração e excesso de peso podem ser indicações de uma doença que afeta, principalmente, mulheres entre 20 e 40 anos: a tireoidite de Hashimoto (uma doença auto imune, caracterizada por uma inflamação na tireóide causada por um erro no sistema imunológico). No pós-parto, mesmo mulheres sem doença de tireóide podem evoluir com quadro de excesso de função (Hipertireoidismo) ou evoluir direto para Hipotireoidismo, quando a glândula produz menos hormônio, podendo levar à tireoidite de Hashimoto.

Esse estudo mostrou que, no pós-parto, mulheres que apresentaram alterações ao ultra-som e ou anticorpos contra a tireóide positivos, têm sete vezes mais chances de desenvolver a tireoidite. “Durante a gravidez, o sistema imunológico fica alterado para não haver rejeição ao feto. Quando o bebê nasce, os anticorpos voltam à ativa e eles podem investir contra a tireóide como se esta fosse um órgão estranho – ‘inimigo’-, causando uma inflamação”, explica a endocrinologista Maria Fernanda Barca. “Isso pode acontecer já do 1º mês até um ano pós-parto e pode evoluir para a tireoidite crônica de Hashimoto”.


O estudo que fez parte da tese de doutorado da médica, foi publicado na revista Clinical Endocrinology e contou com a participação de 800 grávidas, das quais no pós-parto 13,8% apresentaram como positivo o exame de sangue que detecta a presença dos anticorpos anti-Peroxidase (anti-TPO) e alterações no ultrassom de tireóide. “Foram fatores determinantes que mostraram a predisposição para desenvolver a doença auto imune, a tireoidite pós-parto seguida de tireoidite de Hashimoto”, afirma a especialista.

Por isso a importância de um ultra-som bem feito. Segundo a Dra. Maria Fernanda, antes de apresentar alteração sanguínea, algumas mudanças já podem ser percebidas no diagnóstico de imagem com o acompanhamento desde a gestação.

“No estudo, identificamos também que das grávidas que desenvolveram a tireoidite pós-parto, por exemplo, 60% regrediram e 40% evoluíram para a  doença de Hashimoto”, diz a endocrinologista.

Nestes casos, a especialista indica o uso de métodos paliativos que podem contribuir significativamente para a qualidade de vida da mulher, tais como betabloqueadores, selênio e antidepressivos e quando necessário o uso de hormônio da tireóide (Levotiroxina).

Sobre a Dr. Maria Fernanda Barca:

Doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Membro da The EndocrineSociety, Estados Unidos, Membro da EuropeanThyroidAssociation, Médica Colaboradora do Grupo de Tireóide do Departamento de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo de 1999 a 2010, Professora do Curso Progressos em Tireoidologia do Programa de Pós-Graduação da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo nos anos de 1999 e 2009.

ps.: recebi o release da assessoria da Dr. Maria Fernanda Barca e achei de grande utilidade publicá-lo, pois o estudo é bacana e não conhecia essa alteração, acho que pode ajudar muitas “mamães recém-nascidas” que buscam informações e apoio quando se sentem sozinhas e tristes. Fiquem de olho e alertem os médicos!!

FACEBOOK  II  PINTEREST  II  INSTAGRAM

favicon novo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...