Tudo começou // antes do nascimento

parto hospitalar humanizado

 

Nossinhora! Lá se vai um mês, 30 dias, 4 semanas que ela chegou. Já somos 5 !

Fiz com o maior carinho do mundo muitas anotações ao longo desse tempo para montar o quebra-cabeça do relato do nosso parto.

Ficou lindo!!

Antes de publicá-lo aqui e compartilhar com todos vocês como foi que tudo aconteceu naquele dia – semana na verdade, pois entrei em trabalho de parto na madrugada de segunda pra terça e Amelie só nasceu na quinta – gostaria de deixar aqui nessas linhas algumas considerações.

Nunca fui a louca do parto. Não sou ativista. Não indico ou repreendo nada e  não acredito que certas escolhas façam de mulheres mães melhores ou piores. Acho importante –  e lindo – incentivar práticas saudáveis e benéficas à mães e filhos, mas também respeito quem simplesmente “não pega esse canal” e  faz escolhas que respeitem somente seu próprio limite ou desejo. Acho justo, cada cabeça uma regra!!! Viva as diferenças!

Ah, o mais importante, quero contar aqui como cheguei – ou chegamos – ao caminho que decidimos tomar, ao parto que acreditamos ser o melhor para todos nós.

Eu realmente comecei essa busca sem saber o que estava procurando!

Bárbara nasceu de uma cesárea necessária, estava em posição pélvica e foi minha escolha, totalmente consciente. Entrei em trabalho de parto durante a madrugada e ela nasceu – linda, loura e de olhos azuis – no início da manhã.

Theo nasceu com 38 semanas – depois comprovadas  37 semanas – em uma manhã de consulta de rotina, a médica me disse que os batimentos cardíacos não estavam legais, que ele poderia entrar em sofrimento e eu – sabendo que estava sendo enganada porém, sem coragem de contradizer uma opinião médica ( blááá) – cedi a pressão e me submeti a minha segunda cesárea. Essa foi dolorosa, não só na preparação, pois fui chorando sentindo meu trabalho de parto roubado, como no pós parto. Tive minha segunda cesárea, um bebê saudável e de brinde ganhei um problema na cervical ocasionado – segundo minha ortopedista – pela anestesia.

Vida seguiu e eu sempre me peguei pensando em como seria um parto “normal”. Eu queria tanto ter passado por isso.

Entendia por parto normal o que hoje sei que de normal não tem nada e quando engravidei novamente só tive coragem de pensar nisso às 27 semanas.

Com a proximidade da data chegando, encontrei amigas que estavam seguindo pelo caminho do parto humanizado, com respeito e zero procedimentos desnecessários, mas naquela época, ainda não entendia do que se tratava tudo isso. Não estava nessa vibe, não era meu mundo.

Buscava pela “fuga” da cesárea e não por um parto de fato normal. Normal pra mim naquele ponto eram os partos cheios de procedimentos desnecessários e claro, uma analgesia e não achava essencial pesquisar sobre os ainda mais desnecessários procedimentos que os bebês são submetidos todos os dias, aspirações, vacinas,corte precoce do cordão umbilical…nada disso fazia parte das minhas preocupações ainda.

Acontece que conforme fui mergulhando nesse mundo, pesquisando e conversando com médicos, depois encontrei aquela que viria a ser minha doula e ouvindo muito o que as amigas – principalmente uma…Analu! – tinham para compartilhar sobre tudo isso me senti num caminho sem volta.

Depois que conheci as reais necessidades, os procedimentos e compreendi muita coisa sobre nascimentos, não consegui aceitar nada menos do que um ato natural e humano, tanto para mim quanto para meu bebê. É difícil se submeter as atrocidades que acontecem em partos nada normais, em posições desfavoráveis, sem respeitar os desejos da família.

Aspirar, pingar colírios e não dar o direito de um bebê se beneficiar de todo o sangue de seu cordão umbilical – bebês que têm o cordão cortado assim que nascem perdem até 30% do SEU sangue –  são pontos que não se pode ignorar. A ignorância pode até ser uma benção em alguns casos, mas quando falamos de bebês inocentes e mulheres em momentos tão vulneráveis…como é difícil admitir isso! Sei que em muitos casos essa é a única opção possível para quem como eu busca fugir de uma cesárea desnecessária, afinal partos assistidos por equipe humanizada na maioria – se não em todos – dos casos não são cobertos por planos de saúde, e nem poderiam com o valor baixo que esse sistema paga os profissionais. Tem muito trabalho, tempo, dedicação e entrega para  respeitar verdadeiramente a natureza.

Me lancei de corpo e alma – e medos –  e cheguei aos poucos a uma equipe humanizada e que mesmo com minhas prévias cesáreas toparam encarar essa jornada comigo e acreditem, isso tudo só aconteceu próximo das 33 semanas!! Nunca é tarde para se tomar essa decisão.

Minha médica só me deu um conselho: Tente sem anestesia, assim será melhor para controlarmos tudo.

O hospital que havíamos escolhido não tinha nada de humanizado,mas tinha um uma UTI neonatal para qualquer intercorrência. No dia em que Amelie resolveu estrear nesse mundo ela estava sem vagas e acabamos optando por um outro que para minha surpresa tinha um sala de parto super convidativa e foi então – antes nunca tinha me passado pela cabeça – que a banheira da doula entrou em cena e o parto na água se tornou uma possibilidade.

Por que estou contando tudo isso antes do meu relato de parto?

Para te mostrar que nunca é tarde para se informar e que se for sua vontade – qualquer que seja – se informe sobre tudo que envolve sua decisão e quais são os caminhos possíveis.

Para ter um parto como planejado não basta querer, tem que se informar e correr atrás. Também quero deixar claro aqui que esse terceiro parto foi um sucesso pra mim, foi melhor do que eu imaginava e nem por isso foi mais intenso do que os anteriores, pelo contrário! Ele me fez ver que cada mulher deve escolher o que lhe faz feliz e na medida do possível “peitar” o mundo todo e escolher ter um parto na água, na chuva ou na fazenda, de cócoras ou de ponta cabeça…uma cesárea eletiva, um parto com plantonista no PS. O que couber no bolso e no coração, no final das contas isso

não  muda em nada o amor que sentimos por cada filho. <3

Ah, estou contando tudo isso, nesse texto desconexo por motivo de: Senti vontade e como ainda estou cheia de hormônios, resolvi não me contrariar!! kkk

continua…

mas sem mimimi

 

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