Desmame da Mel

amamentação prolongada e desmame

Se eu dissesse que foi fácil, estaria mentindo.

Fácil mesmo é a gente se perder durante o processo do desmame após a amamentação prolongada. Eu queria e não queria que essa hora chegasse. Sabia que precisava mas não aceitava, estava cansada e confusa. Também estava bem feliz pois alcancei minhas metas com relação ao aleitamento materno: Mel mamou exclusivo até mais de 6 meses ( só começamos a introdução alimentar no final do sétimo mês ) e seguimos com a amamentação até após o primeiro ano. O que veio depois não estava nos planos mas foi gratificante e intenso, preciso lembrar que não são só flores mas também há muitos, muitos, muitos momentos especiais nessa caminhada.

Já passei por desmames antes mas me senti ” na estaca zero” novamente pois cada bebê é um, e eu também sou uma mãe para cada um deles. É bem fácil ficar confusa quando esses grandes marcos chegam na vida dos bebês, sem falar que tudo parece bem mais complicado quando estamos cansadas.

Começamos pelo processo do desmame noturno ( tem vídeo aqui ) mas até isso foi complicado. Eu parei e voltei muitas vezes, cedi ao cansaço e ao choro incessante. É bem normal e diria até que faz parte do processo.

Queria que o desmame da Mel fosse gradual, sem traumas e gentil, disso eu tinha certeza. Busquei ler e assistir a muitos vídeos, conversei com amigas e profissionais. Acontece que nem tudo que funciona para uma amiga.prima.tia.parente vai funcionar com a gente.  Isso é a mais pura das verdades, por isso, gosto de me aprofundar, ouvir várias opiniões e saber de muitos casos. Assim, a chance de encontrar algo se adeque a nossa rotina deve ser maior, não?

O meu perfil no Instagram ( @blogpetitninos , me segue lá!) foi um instrumento valioso para essa troca de experiências, foi tanta ajuda, uma troca super rica que me uniu à outras mulheres nessa mesma fase, aliás, já havia nos unido desde as noites em claro enquanto os bebês ainda mamavam. Vocês sabem quem são, vou sempre lembrar com amor desse período!

Foi pelo Instagram que comecei dividindo meus medos e convicções , falhas e acertos e recebi muito apoio.

amamentação prolongada e desmame

Me lembro bem do dia que eu decidi que era nossa hora de parar. Mel já se alimentava muito bem mas mesmo assim queria o peito toda.hora.todo.momento.instante.segundo em que algo na vida dela dava errado. Caiu uma folha da árvore, o meu peito era o consolo. Estava absolutamente exausta, sentindo que ela não comia entre as refeições pois vivia pendurada no peito o que, na minha opinião, nos rendia noites em claro, acredito que ela não ingeria o que necessitava pois estava sempre somente atrás do leite nos períodos de lanche.

Minha vida estava um caos, minha casa não estava funcionando. Estava pesando menos de 50kg , quase o meu peso da adolescência. Nem vou falar aqui qual era para vocês não assustarem mas, me sentia – e estava mesmo – sendo sugada! Minha maior questão no desmame era que Mel nunca aceitou nenhuma fórmula ou leite de vaca. Tentamos de tudo, todas as marcas de leite e de mamadeiras. Nada funcionava e isso me deixava agoniada. Nunca deixei de oferecer, mesmo que ela rejeitasse, meu coração dizia que uma hora funcionaria!

Comecei seguindo as dicas de desviar a atenção dela quando ela pedia colo, passei a evitar de me sentar nos lugares onde ela estava acostumada a ser amamentada, comecei a conversar com ela. Explicar que o meu colo ela poderia ter sempre, mas que o peito, já não era mais necessário para ela.

Foi babado, confusão e gritaria no primeiro dia e me senti péssima. Cedi outra vez.

Dias depois decidi retomar e ela pareceu entender melhor. A levava passear na rua quando via que ela queria o peito.

 

Então comecei novamente a distraí-la quando queria mamar, oferecia passeios e brincadeiras nada usuais para as nossas tarde, saia da rotina mesmo e estava sempre com mamadeira e leite à mão nessas saídas.  Ela aceitou meia mamadeira em uma tarde num passeio de carrinho. Vi luz no fim do túnel. Não só pegou o leite como também já não chorava mais embora ainda tentasse puxar a minha blusa em alguns momentos.

Seguimos assim por uns 5 dias e foi quando meu coração apertou. Íamos viajar por 6 dias em poucos dias. As crianças ficariam na casa da minha mãe, isso foi no início de Janeiro. Acho que por acúmulo de leite ( eu estava extraindo o excesso com bombinha elétrica, erroneamente ) somado ao stress de ter que me separar das crianças tive um início de mastite. Coisa mais chata, dolorida que é essa inflamação. É como uma tortura.

Como já tive algumas vezes, sei pegar logo no início. Uma leve vermelhidão na pele, sensibilidade e sintomas parecidos com o início de uma gripe. Soube na mesma hora!

Cogitei o medicamento recomendado para secar o leite, afinal, ninguém precisa de uma mastite em pleno desmame, né?

Por fim recuei e segui alguns conselhos das minhas seguidoras amadas ( obrigada por sempre perderem um tempinho me mandando dicas!) que foi de fazer a ordenha manual do excesso do leite somente no banho, isso evitaria o estímulo à produção que a bombinha causa. Essa técnica aliada ao medicamento para combater a inflamação.

Fomos viajar e eu ainda sentia muita dor, mas fomos. Acho que eu precisava mesmo me afastar da situação, esquecer um pouco o assunto. Meu peito começou a não inchar mais e a doer menos na volta para Vinhedo.

Foram 30 dias para o leite secar total e 5 para derrotar a mastite e na volta Mel nunca mais tocou no assunto peito.

Vez ou outra, quando estamos no banho, faz um carinho e quando percebo que ela está “notando” o “peitinho” já a agarro num abraço,apertado, e digo que meu colo tá sempre aqui pra ela, com leite ou sem leite, tem abraço de sobra.

Acho que senti mais dificuldade dessa vez por vários motivos, agora que estou me analisando. Estava muito apegada a ideia de amamentar prolongadamente que o nosso tempo chegou ao final e foi difícil de digerir que tudo passou tão rápido. Sou resistente à mudanças e estou trabalhando isso em  mim.

Outro ponto foi que juntamos o desmame com a escola, tudo muito perto. Pra mim, esses são os último maiores vínculos físicos que temos com nossos bebês. A primeira separação vem com o nascimento e corte do cordão umbilical mas, em geral, estamos bem preparadas para esse rompimento. A amamentação me reconectou com ela e viver esse processo foi doloroso pois eu já estava antecipando a dor de entregá-la aos cuidados de outras pessoas, com o início da escola.

amamentação prolongada

registrei nossa última mamada… muita emoção!

Já me entendi comigo mesma e sei os motivos de tantas dores de separação ( prometo um post só sobre isso) e o que me ajudou a encontrar respostas foi o mindfulness que já faz parte da minha rotina e tem salvado minha vida, de verdade. Falei mais sobre isso NESSE VÍDEO.

E assim, termina mais um capítulo…Mel crescendo e eu evoluindo junto … como mãe e mulher.

 

blogpetitninos

 

 

 

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